
Podia não ter havido mas eu não me fico só porque a vida me tombou de novo. Na segunda feira tinha tudo planeado e preparado para receber os nossos pais, depois de jantar, para um cházinho e uma [ou mais] fatias de bolo. A notícia de que vou pertencer à classe dos milhares de desempregados por este país fora chegou bem cedo. Não passava das dez da manhã e o que eu previa à tantos meses acabou por acontecer. Foi um dia de muitas emoções, de muita papelada, de muitos telefonemas e principalmente de muitas interrogações neste meu pequeno sótão. Ao final do dia só queria um abraço do G. e os mimos da minha grande família. A minha mãe ainda perguntou se sempre era para tomar o chá ou se ficava para outro dia. Mas não, o dia do pai era naquele dia e era nesse dia que tinha sentido preparar a mesa e acender as velas.
Na realidade, até acabou por ser reconfortante e as palavras encorajadoras de todos fizeram-me ver que eu vou ultrapassar isto, eu consigo ultrapassar mais esta afronta.
Ficam as imagens de uma mesa posta para quem de mais especial temos. Os pais [e as mães].







